Mulheres nas Exatas: A Ciência do Cotidiano e o Poder das Redes de Apoio

Edmara Viana palestra no  Programa de Mentoria ára mulheres nas Ciências. (ICMC-USP S.Carlos)

O assunto mulheres nas exatas ganhou força no ICMC da USP campus São Carlos. Você já parou para pensar em quanta matemática existe na sua rotina antes mesmo do almoço? Do algoritmo que define a rota do aplicativo de transporte à segurança da sua conta bancária, passando pela engenharia do prédio onde você trabalha e pelos dados que sustentam a inteligência artificial: as ciências exatas sustentam quase tudo o que utilizamos no mundo moderno.

Apesar de ser a engrenagem invisível da sociedade, por muito tempo a área STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) foi retratada como um campo frio, isolado e predominantemente masculino. Esse estereótipo afastou — e ainda afasta — talentos brilhantes. No entanto, a resolução de problemas complexos exige muito mais do que números em uma lousa: exige rigor analítico, capacidade de visão sistêmica, disciplina, pensamento crítico e criatividade. Qualidades que não têm gênero, mas que ganham uma força extraordinária quando impulsionadas pela perspectiva e competência feminina.

O grande obstáculo histórico para as mulheres nas ciências exatas nunca foi a capacidade técnica ou intelectual. A verdadeira barreira sempre foi o isolamento cultural e a escassez de redes de apoio. Entrar em uma sala de aula ou em um ambiente corporativo onde você é a única mulher gera um desgaste silencioso, onde a falta de representatividade muitas vezes faz com que excelentes profissionais desistam no meio do caminho.

É justamente para transformar a solidão individual em força coletiva que surgem iniciativas como a comunidade Mulheres nas Exatas.

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Idealizada por Edmara Viana da Silva, doutoranda em Matemática Computacional do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, a iniciativa nasceu da percepção de que muitas mulheres enfrentavam os mesmos desafios e desenvolviam soluções locais em suas universidades, mas de forma desconectada.

Ao ouvir relatos de estudantes e pesquisadoras, a doutoranda conta que a necessidade de união ficou evidente:

“Percebi que muitas compartilham desafios semelhantes, como a falta de representatividade, o isolamento em ambientes predominantemente masculinos, a dificuldade para encontrar oportunidades e apoio e a necessidade de um ambiente onde pudessem trocar experiências e construir conexões.”

Criada após a participação de Edmara no Programa de Mentoria para Mulheres nas Ciências (promovido por SBM, SBF e SBQ), a comunidade utiliza uma ferramenta simples e acessível a todos — o WhatsApp — para conectar mais de 150 estudantes, pesquisadoras e profissionais pelo Brasil.

Mais do que um grupo de mensagens, a rede funciona como uma ponte direta para o futuro: ali são compartilhadas oportunidades reais de bolsas de estudo, editais, cursos, vagas de emprego e mentorias. A iniciativa, que foi apresentada oficialmente durante a XII Bienal de Matemática em Natal (RN), já planeja rodas de conversa, capacitações e grupos de estudo.

A comunidade é aberta a todos os níveis de formação nas áreas STEM. A pluralidade de perfis é vista como um dos principais diferenciais da iniciativa. Acreditamos que essa diversidade permite que mulheres em diferentes momentos da trajetória possam compartilhar experiências, encontrar referências, construir conexões e inspirar-se umas às outras.

A iniciativa ainda está em fase de consolidação, mas novas atividades já estão sendo planejadas, entre elas palestras, rodas de conversa, grupos de estudo, clubes de leitura e capacitações voltadas ao fortalecimento de meninas e mulheres nas Ciências Exatas.

Promover e fortalecer a presença feminina nas áreas STEM não é apenas uma pauta sobre representatividade ou equidade de gênero. É uma necessidade estratégica para o avanço da inovação. Quanto mais diversificada for a mente de quem constrói a tecnologia, a ciência e a engenharia do nosso país, mais ricas e inclusivas serão as soluções encontradas para os desafios do futuro.

Quando uma mulher ocupa seu espaço nas exatas e encontra uma rede que a sustenta, ela não apenas avança na carreira: ela abre portas e pavimenta o caminho para todas as que virão depois dela.

O acesso é gratuito e para participar basta clicar no link do whatsApp da comunidade.

Fonte: assessoria de Comunicação do ICMC-USP – Crédito de texto: Raquel Sampaio (Fontes Comunicação Científica) Imagens: Aquivo Pessoal

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