
Quando pensamos no emblemático ano de 1968, a mente de muitos remete quase instantaneamente às mobilizações estudantis que sacudiram as ruas da França. No entanto, no cenário brasileiro, os protagonistas de 1968 vieram das conexões entre a classe operária e o movimento estudantil que contam com nuances bem particulares, muitas vezes ocultadas pelo tempo.
É exatamente sobre essa complexa e corajosa relação de resistência à ditadura militar que se debruça a socióloga Maria Ribeiro do Valle em seu mais novo lançamento pela Editora Unesp: “Protagonistas e intérpretes de 1968: silenciamento, ocultamento e memória”.
Os marcos da resistência: As greves de Contagem e Osasco
A obra concentra sua análise em dois dos episódios mais marcantes e desafiadores daquele período: as greves de Contagem (Minas Gerais) e de Osasco (São Paulo). Ocorridas em um momento de retrocesso nos direitos trabalhistas sob o regime militar, as paralisações se tornaram símbolos da reconfiguração do sindicalismo nacional pós-1964.
Naquela época, segmentos das organizações sindicais decidiram romper com as lideranças tradicionais e pelegas para, de forma articulada com os estudantes, enfrentar as proibições de greve impostas pelo governo autoritário.
“Partimos da reflexão de que 1968, por conta de sua complexidade de eventos e interpretações, continua sendo um momento-chave para a compreensão do tempo presente”, destaca a autora Maria Ribeiro do Valle.
Resgatando vozes silenciadas
O grande diferencial do livro é o rigor metodológico e a sensibilidade histórica. A pesquisa da autora reconstrói o surgimento de novas organizações militantes que atuavam diretamente nas fábricas e universidades combinando:
- Entrevistas detalhadas com os próprios protagonistas da efervescência contestatória de 1968;
- Documentos de arquivo históricos da época;
- Diálogos acadêmicos profundos com os principais sociólogos e historiadores especialistas no período.
A autora traz à tona lembranças e experiências que o silenciamento histórico tentou apagar ao longo das últimas décadas. Relatos pessoais e documentos da época, permitem compreender como, protagonistas e intérpretes elaboraram, ao longo do tempo suas próprias experiências.
As conversas realizadas durante a pesquisa são reproduzidas integralmente ao final do volume, oferecendo ao leitor acesso direto às vozes mobilizadas pela autora e aos diferentes modos de recordar 1968.
“Dar voz aos protagonistas e intérpretes de 1968”, anota a autora, “é um meio de resistir, no campo das disputas simbólicas em torno de sua memória e legado históricos, aos discursos negacionistas sobre os crimes da ditadura”.
Nascida em Guaxupé, Minas Gerais,, justamente no ano de 1968, Maria Ribeiro do Valle, graduou-se em ciências sociais pela Universidade de São Paulo. é mestre e Doutora pelo Departamento de Ciências Sociais Aplicadas da Faculdade de Educação da Unicamp. É autora de 1968: O diálogo é a violência: movimento estudantil e ditadura militar no Brasil (Editora da Unicamp, 1999). Atualmente é professora da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara, além de coordenadora geral do CEDEM, o Centro de Documentação e Memória da Unesp.
Ficha Técnica e Onde Encontrar:
- Título: Protagonistas e intérpretes de 1968: silenciamento, ocultamento e memória
- Autora: Maria Ribeiro do Valle
- Editora: Editora Unesp
- Para saber mais sobre a obra ou adquirir um exemplar, acesse o site oficial da Editora Unesp.
Créditos:
Este artigo foi produzido com base no informativo e material de divulgação oficial gentilmente autorizado pela Fundação Editora da Unesp.

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